domingo, 13 de novembro de 2011

   No caminho, todos carregam tudo que já viram e sentiram. Essa bagagem pode tornar-se um peso ou um motor. Por vezes, podemos escolher, entre transformar algo em peso ou motor, mas na maior parte do tempo, reagimos ao mundo da forma que toda esta bagagem nos talhou. Isso acontece ao longo do tempo, sem percebermos.
   Acredito que por reacoes deste tipo, principalmente minhas, acabamos sentados em uma pequena praca sobre o canteiro que separa as ruas Lima e 9 de Julio. Ao nosso lado, dois caras muito magros, com cortes de cabelos indescritiveis conversam muito tranquilamente, em voz baixa, apontando um caderno. Na nossa frente, um homem muito gordo esta sentado ao lado de duas malas enormes. Um casal de pessoas velhas passa mexendo em todas as lixeiras da praca. Os dois sorriem, lhes faltam dentes. O homem gorda levanta. Após alguns instantes, com uma mala em cada ombro, sai caminhando lentamente, enquanto sua barriga enorme balanca sobre a camiseta branca e justa. Ao fundo, um homem cego divide um refrigerante de uma marca que nao conheco com um casal que parecem ser seus filhos. Conversam como velhos amigos. Em silencio, Fava desenha e eu escrevo. Descansamos para a estrada amanha.

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